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VISÕES
(EXPECTATIVA DE REVOLUÇÃO IMAGINÁRIA NOS ÁRIDOS & DESOLADOS CAMPOS DE BATALHA CEREBRAIS)

Antes de começarmos a próxima sessão, por favor certifiquem-se de que o contraste de seus televisores esteja desprogramado. E por favor, NÃO DÊEM COMIDA AOS UNICÓRNIOS.
Naves alienígenas se aproximando da órbita terrestre. BIP! BIP! Nós temos que ver isso. BIP! BIP! Não, nós não temos que ver isso. É merda para as cores de nossas retinas, eles dizem. BIP! BIP!

Antítese. Anticristo em forma de película. Obra prima no reino mágico das Não-Obras-Primas! O revolto oceano de papelão jamais encontra a calmaria. FAKE. Ressuscitando os mortos se for preciso. Clone de Lugosi (o pior de todos os clones) pairando por sobre uma poeirenta camada de vergonha, sempre com sua respiração cavernosa e seu falso caixão nas costas. THIS IS THE ONE! Surrealismo. Poderia, se fosse essa a intenção. Essa é a mágica de um par de olhos insanos. (PORNÔ em seu futuro). Personagens inexistentes - atores - quão engraçados e agradáveis são todos estes atores! Um colorido freak show (technicolor no B&W) expulso de algum teatro mambembe fugaz. Ciganos & bandidos espanhóis por todo o lugar! Se você olhar com atenção, poderá ver a translúcida linha que separa o disco voador do nosso mundo... THE END na gigantesca tela e vômitos aos lados. As coisas nunca foram tão engraçadas!
Não podemos ouvir nada. Apenas gritos lancinantes no fundo de nossas lembranças. Espero que não tenhamos passado muito da hora.

O pai do lobisomem, furtivo, desliza entre as esquinas de Whitechapel. Um fantasma antigo a tudo observa com melancolia. Nenhum som é necessário após a meia-noite. Uma gargalhada silenciosa. Gritando em nossa imaginação amortizada. A face do palhaço é o rosto do espectro quando casada com o cinza. 1927! Que ano maravilhoso foi aquele! Loucura & gerações perdidas festejando em um malicioso carnaval! Garotas com sorrisos de boneca! Vida em porcelana! Chinesa (dizem ser melhor)! Fantasmagoria não poderia estar em melhores mãos! Sempre vai haver um senhor distinto prestes a sofrer um colapso nervoso por aí. DR JEKILL AND MR HIDE. Este princípio é tão certo que deveria ter sido descoberto por Newton. Carl Jung & filmes mudos.
POP CULTURE. POP SCENES. POP MUSIC. POP BEINGS.

Não há perdas quando nos perdemos em meio ao mundo. Somos infinitos. Óculos escuros e fotografias à beira da estrada. BEATitude. Monjes loucos rumo à Shangrilla! A Cidade de Ouro está próxima meus amigos! Mais um dia e estaremos lá! Shangrilla...acalentados por sua calmaria... te fazemos Ode a Alegria. O horizonte nunca se perde (repara?) & não é tão rápido assim. (eu sinto que encontraremos ótimos lugares para se dormir por lá) Eu queria estar com aquela arvore agora. Queria ver como são as coisas por lá. Será escuro e úmido, cheirando à nascentes perdidas na floresta? Será brilhante e terá formigas passeando nos troncos vizinhos? Essa pergunta é a única que importa agora. Nada de perder tempo com outras coisas. A vida passa muito rápido para eu não estar lá com aquela arvore.
Nenhuma música. Nenhuma esperança ingênua suspirando ao nosso lado. Apenas estagnação.

Violência crua nos televisores. Um tapa. Caretas caóticas na direção dos telespectadores. Observam a tudo com descrença. Homens & gado. Expostos em um repulsivo açougue de um cientista maluco. Fome é o sentimento primal. Você nasce porque está com fome. Você morre... sempre de fome. Um espelho nunca é um bom negócio. Uma pintura surrealista corrompida. línguas úmidas de serpente nas aquarelas. Dali está ali. (não! Bosch talvez.) Dante. Dizem que não é bom mexer com essas coisas. Com eles. Ninguém gosta de ser mexido. Parece tão cru e tão real. Uma janela. Nós. Voyeurs. Horrorizados por nós mesmos.
Tudo é preto & branco e desconexo. Assim é melhor. Tudo é doce e melódico. Instrumentos de sopro acalentando criançinhas sonolentas à cama.

Filosofia de nightclub. Vozes de piano bares. PULP. Ficção B. Fantasma saído das ondas do rádio. Porém, há resíduos de sabedoria & beleza por detrás de todos os bleargs. Gênios assombrando as esquinas. Gurus. Na mesa do fundo. Neblina alcoolizada. Garçons à frente. Pérolas escondidas em gargantas velhas saídas do rádio. Todos nós somos tão pequenos em um mundo que não sabemos onde vai dar. Filme para ser visto de madrugada. Quando ninguém mais vê. Está ali só pra você. Tesouro abandonado em uma mina escura, perdida no século XX. Luz de neón. Notas musicais, tímidas como nunca. Você também fica tímido no início. Mas vai se dar bem. Anos 50. Distantes agora. Mas perto se você souber onde procurar.
Escuridão desconhecida. O jovem aventureiro emana bolhas de medo pelos poros molhados. Espaço sideral.

A água é tão perigosa quanto as nossas camas vistas de baixo. Pessoas sonolentas as habitam. Desconhecido & cobertores. Olhos vermelhos observando sob a madrugada. A madrugada funda. Borbulhante. Ela sempre se aproxima, lenta e certeira. Matando os dias como pequenos peixes de superfície. Pernas balançando, flutuantes. Noite. Uma afiada mandíbula marítima. Jurássica. Fóssil onipresente. Grito feminino de mocinha em perigo. Inocência & umidade & coaxares malévolos. Coisas desconhecidas rindo de nossa frágil casca de ovo. Escamas seculares. Nossa pele de neném é impotente. Oceanos encharcam os quartos quando estamos dormindo. Ondas quebrando próximo ao confuso raciocínio do insone.
Raquíticas presenças na tranqüilidade conhecida. Se expressando em silêncio. Escondidas.

Plágio do plágio. Expressionismo. Nos loucos anos 20 um sussurro. Eternas sombras brilhantes invadindo o cotidiano imaculado. Dedos longos de teia de aranha. NOSFERATU. A palavra é como um pilar. Uma rosa quebradiça em sua mão. Cor-de-rosa imaginário. Imitação ratiniana de ser-humano. Nunca será um humano neste mundo de inumanos! Escondendo-se no constrangimento. Excluído. Fluindo por uma contínua correnteza de pré-conceitos. Filete de palavras cortantes. Rasgando a alma da sombra. Arte visual em todo o seu esplendor. Pureza. Celulóide queimado pelas garras sanguinolentas do progresso. Fotografias amareladas. Perdidas em formol.
Protesto é sempre bem-vindo. Protesto está em extinção. Inerente à natureza humana. Em extinção junto com ela.

O mundo clama por respirar em alívio. A verdade é que o mundo é um peixe. Fora d'água. BOMBAS H como companhia. Grandes cogumelos dançando em seus quintais. Alucinação decadente. Sempre mensagens perdidas pelo caminho. Sempre folhas que voam na menor das brisas. Sempre sujeira. Era Atômica. Um dia acordaremos os nossos grandes olhos atômicos e raios x sairão no lugar de lágrimas. A Terra clama por ser nocauteada. Estamos sitiados em nossos próprios excrementos.
COME IN, LADIES & GENTLEMEN! BEWARE! BE READY! BE CLOSE NOW!

Uma imensa tenda amarela. Ursos de pelúcia envolventes & convidativos. Desgraça. Degradação. Olhos atentos. Salivantes. (Eles amam tudo isso). Morrison exala o seu hálito de lagarto e diz "câmeras dentro do caixão. Entrevistando vermes." FREAK SHOW. Não há nada mais apreciado! Multidão. Aglomeração de donas-de-casa em volta do tombado do 13o andar. Olhares extasiados. Amor pelo fracasso alheio. Morte nas veias. _ Ópio do povo _ Celebridades cultuadas em proporção à suas desgraças. THERE'S NO REASON TO FEEL DOWN! THE FREAK SHOW'S COMING TO TOWN! A mulher barbada emite lágrimas cristalinas em sua gaiola. O maior homem do mundo sente-se o menor dos mortais. Suas costas exibem chibatas. & quem nós somos? De que lado da jaula nós estamos?