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THE BIG FAT DARKNESS OF MYSELF
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So, do you wanna be a writer?
Do you wanna see?
Do you wanna see things?
Yourself?
Somebody else?
The world?
The word?
The truth?
Do you wanna open your eyes, open the city like an open mouth and see and be and be here and be close and clear?
I think that´s bullshit. I think the only thing you really want is to cry, a little. To die, a little. To fly, a little. And see. With me. Free. To lie, a little.
Meio-dia. Cruel, como uma dor esquecida nas lembranças importantes de vidas vazias. Vidas ínfimas. Íntimas. Corredores e pátios são a companhia das lápides...e dos desacompanhados. Mas isso é conversa de suicidas pomposos. Pro diabo com todos os suicidas, todos os homicidas e todos os inseticidas. Esse buraco já está cheio demais com as suas próprias corrosões.
Abro meus olhos contra o sol.
Nenhum fantasma.
Nenhum eco.
Nenhum vazio.
Somente movimento, procriando, como ridículos vermes aninhados na inércia.
Meu corpo está do avesso. Minha alma está exposta. Exposta para a mortalidade. A imortalidade é uma palavra. Uma palavra cinzenta, poluída com os rumores e finais felizes que povoam a morte. Eu não choro, nem grito, nem falo. Me estendo pelo início da tarde, fugindo do sacrifício, sem saber que já estou no mais profundo sacrifício.
Ei, você, se lembra de mim?! Que cara é essa? Já vai embora? Não? Nem eu? Que faz aí? O que?
A cidade é uma sepultura
iluminada
por vidas vazias
que agonizam
em suaves mentiras.
Eu penso & escrevo numa funesta nota de rodapé ganindo sobre a mesa escolar. No dia seguinte ela ainda está ali, minha palavra esculpida na sandice. Contornando o tédio. Alguém me diz que se amarra. Escreve. Mas as palavras perdem o sentido quando talhadas na madeira, apenas um slogan de eras passadas. Meus olhos dançam e afundam e afundam e afundam até que toda a superfície seja o inatingível. Azul e brilhante. Cálido, flácido, ondulante, sobre os meus cabelos. Estou profundo, vazio. Habitando a tarde como um monstro congelado, enquanto crianças brincam com os seus cabelos. Abrindo os olhos, os olhos grafados na noite, inertes e submersos, um lamaçal. Que engole as alucinações. E golfa revelações. Imundas. Mexendo o pescoço. Uma vez antes da morte. Mas a morte se repete, ao eterno. Falando apenas uma palavra que destrói a galáxia, a palavra do nada, da vida que é viva e escorrega por nossos dedos. Eu sou um monstro congelado. Eu penso. Sou um monstro petrificado, com olhos de rocha, rocha vulcânica, negros, pétreos, saqueados por adoradores tomados pela febre do ouro.
Ela vai embora. De carro. Uma coisa inesperada. Eu não morri. Surpreendentemente eu vejo que ninguém morreu.
Tenho que terminar com essas confissões, antes que elas terminem comigo.
A Terra de Nod é um caminho escuro. Esse é o refúgio de Caim: ter as verdades soterradas pela terra obscura. Quando tudo o mais falhar... não, uma frase melhor: E no princípio, era a Dor.
Mas o meio-dia me envolve com braços de claridade e aqui tudo é claro, como um dia que beija os pensamentos e transforma a todos em doces ilusões, inocentes. Meus olhos querem fechar. Não posso. Não posso fazer isso.
Vai embora. De carro. Um carro branco e metálico que a absorve e toma a sua alma. Ela lhe pertence, como eu pertenço ao tempo. Uma aparição de mármore sumindo num horizonte nefasto, deixando para trás os roncos motorizados que irão ecoar na minha cabeça por todas as noites que não conseguir dormir. E eles ecoam até mesmo nos pesadelos. Onde as criaturas fazem da paranóia a sua morada.
&
nós, ao meio-dia, acabamos pensando todas aquelas coisas que tememos pensar. E
ela foi embora. Desceu a ladeira, xará.
Gostaria de chorar, de cair na gargalhada, mas acabo me perdendo em toda essa conversa perdida, como um labirinto de dúvidas. Se eu conseguisse escrever, juro que escreveria, mas por aqui o lodo é a resposta que você encontra para as perguntas que saem dos lábios de todos os que temem perguntar.
THE BIG FAT DARKNESS OF MYSELF.
Taí o tipo de coisa que eu não deveria perder o meu tempo escrevendo. Afinal, qual a razão de alimentar as imperfeições? As imperfeições são antropófagas e me devoram quando sinto medo. Sou imperfeito, acabo atraído para a destruição. Não de mim, seria muito óbvio. Nem de ninguém, seria muito óbvio. Uma destruição profunda das certezas. Uma destruição profunda do conforto de jazer no FIM. loucura. um desses tipos bem-acabados, com planos para a tarde, me fala sem o menor constrangimento. Tu está louco, e qualquer analistazinho de meia-tigela pode te fragmentar como um frango de açougue.
Dou tchauzinho e permaneço dentre as catacumbas das coisas claras, onde deita um monstro congelado, com olhos de ébano e verdades cravadas no passado. Observo ela indo embora. Por que isso me chateia tanto? Não é nenhuma despedida nem nada parecido, então por que é que isso me chateia tanto? E por que pergunto pra você, se eu já sei a resposta? E você, se for um tremendo sacador, também já sabe. Uma resposta distante de qualquer cliché amor-e-dor. Longe disso, xará. Longe. Não escrevo. Alimento as imperfeições, jogando com os destinos dentro de um círculo vicioso.
Multidões se aglomeram em volta dela, indo embora, mas é ela quem vai embora. E ela não é ninguém aqui presente. Ela é a inexistência. Ela é a onipresença. Ela vai embora de carro. Sem notar que estou ali, perdido, num lamaçal de poesias. Que merda, eu escrevo tão mal. A arte se decompõe diante do meu nariz. Arte? Ora bolas, cala essa boca! Ela vai embora, o que você faz a respeito? Você (esse sou eu) sabe que ela vai embora. Você jamais irá embora. Aqui dentro, somos todos meio-dia.
Eu sou o meio-dia.
(e meio-noite)
Eu sou a meia-noite.
Amanhã será um outro dia e isso não vai significar mais nada para mim.
Mas o dia de hoje sangrou. E tudo se fundiu em imagens desconexas, fora de foco, sobrepostas no imaginário.
As ondas arrebentam na orla, trazendo consigo os detritos de felicidades passadas e o céu se estende num mistério rubro, distante das gaivotas, tudo distante de mim, pois moro nas montanhas.
Ela foi embora de carro.
As ondas arrebentam com os piers. Irrompem na infância, lavando o medo da face do menino.
Ela foi embora.

A terra abre os seus olhos
desperta as criaturas congeladas
desvela a verdade
abre os seus olhos
que são criaturas despertas
e a hora de ir embora surge por detrás dos anseios e luxúrias. E todos vão embora, o que não importa, pois só ela importa, e ela foi embora de carro.
Fecho meu caderno.
Eu posso tudo.
Menos ir embora.
Eu sou o meio-dia.