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Gritos
Jim Morrison
James Douglas Morrison (1943 - 1971(????))
Lobo esquálido, uivando simbolismo na batida xamânica do rock 'n roll. (Ode à Rimbaud). Mr Mojo Risin', o velho blues man saído de um charco esquecido de New Orleans rastejando pele escamosa sobre os palcos de ladrilhos azulados de uma vizinhança bem respeitada. Platéia de papais & mamães classe média dizendo "Ahhhnn!!" com seus olhos esbugalhados de peixe imolado nas feiras matutinas de domingo. Podia fazer qualquer coisa. Assim ele dizia. & assim foi. (ainda é). Amava a vida, mas trepava com a morte (& daí?). Poeta? Cineasta? Cantor? Rock Star? Lagarto. Uma eterna gargalhada alucinada dentro dos ouvidos mauricinhos do poprosado (pop. rosado) Reino Pop baby (yeahh...) O porteiro da porta dos fundos. Esquartejador dos sentidos. Junky. Olhos vermelhos reptílicos semicerrados enxergando as coisas como elas realmente são... infinitas.
Jack Kerouac
Vagabundo. Com olhos bêbados vê coisas sagradas em cada esquina úmida da cidade. Deus sussurrando Jazz em seus ouvidos. & o seu rítmo é frenético. & as suas mãos acompanham. Estrada é o seu cobertor. Língua. Lambendo-o. Oráculos na próxima rua. Vida. Oh, vida em todo o lugar! Descobriu o maior segredo de todos os maiores segredos: a vida tem trilha sonora! Ritmada. Beat. Beat. & Beat. A sinfonia sagrada do jazz pulsando pelas veias do planeta. BEATitude. BEATo. BEATitude. Beat. Atitude. Beat Generation. 1922 - 1969. Um eterno beato que fazia do horizonte a sua carruagem cigana. Desapareceu das redondezas, como sempre. Foi para algum lugar distante. Quando chegarmos lá... já terá ido embora. A estrada é vida. Mesmo na morte.
Edgar Allan Poe
Perambulante pelas ruas americanas como um fantasma maltrapilho expelido pela Rainha Vitória. Passos lúgubres. Invadindo poças d'água pelo caminho. Gritos de criança ecoando seu nome em desdém. "O corvo! O corvo!" "Nevermore!" Poesia escondida por detrás do hálito alcoolizado. Sobretudo vampiresco. (o único do armário) Sempre apaixonado. & sofrendo por isso. Relações incestuosas por detrás do passado obscuro do poeta (obscuro). Desprezado. Não tem importância. Poderia ficar rico, se fosse talentoso ao invés de gênio. Não tem importância. Desconfortável dentro do próprio espírito. Sua sombra é mais elegante. & lá ele quer viver. Tantas cidades ao caminho! Tantas sarjetas à se deitar! Nevermore!
Stephen King
Alguma coisa debaixo da cama. Chuva lá fora. Uuuhhh. (O que foi isso?! O que foi isso?!) Luz acendida & mamãe classe média na porta. Quartinho clean de casinha hi-tech. Horror invadindo o pós moderno! Transilvânia descendo a montanha em direção às nossas vizinhanças. (quem afinal é aquele carinha da casa ao lado?!) Usurpador do gótico. Nada daquela formalidade vitoriana. Linguagem corrida. Informal. Beat Generation pura! Ha, ha, ha! Poesia disfarçada de best seller! Ha, ha, ha! O deslocado. Voz ao deslocado. O outsider. Aquele sentado no fundo da sala. Aquele com as mãos cruzadas para trás, olhando os quadros na parede em meio à festa barulhenta. Constrangido. Sem ter com quem falar. Voz. Eu não quero ser um caviar literário. Eu quero ser um Big Mac! (afinal... quem REALMENTE gosta de caviar?)
Allen Ginsberg
Uivando para um firmamento noturno enfumaçado. Das bordas de um parapeito de arranha-céu. Gritando tragédia e derrota. Manuscritos ao léu. Folhas voando nos ares da metrópole. Uma geração perdida. Desperdiçada. (deja vu?) Manicômio, terra de sábios & eletro-choque. Palavras divinatórias. Clarividência por olhos insanos. (Substâncias estranhas em suas veias) (fazendo-o dormir) (mas ele permanece acordado) Noites & noites de conversas elétricas com amigos beats. Até o amanhecer. Blake sussurrando em seus ouvidos dentro de um dormitório universitário. Mente homossexual. Adentrando por corredores de realidade que nenhum macho man ousaria vislumbrar. Coragem.
William Blake
Vidente. Discursos do Inferno. Embaixador do Reino dos Céus. Trabalhando no Inferno. Seu fantasma assombrando eternamente poetas modernos absortos em insônia. Geração após geração. & após geração. Grupos de rock ouvindo à seus cantos. Como apóstolos. Em um imenso deserto alucinógeno. Ele zomba do tempo. Um basta à erosão! Criando alucinações em nanquim. Alucinações que chegariam ao mundo technicolor em estéreo & hi-fi. Ele está aqui & está lá. Ele está & em todo lugar. Ele está onde os olhos da menina pode chegar. Tempo! Tempo! Ó Tempo! Você parece tão fraco diante de mim!
Ed Wood

Ladies & Gentlemen! Welcome to the Strange Land Of Crap! Orson Welles decadente. Orson Welles abortado. (sequer chegou a nascer). Sua ausência de talento é honestidade. Como o seu não-talento me é tão belo! É preciso ter muito talento para não se ter talento em absoluto. Discos voadores de papelão sobrevoam céus televisivos. Ocultando roupas femininas. Olhos & câmeras brilhantes. Órgão emitindo sons sub-aquáticos nas tardes de sábado. Ofensa. Aos olhos intelectuais inquisitivos. Inquisição Espanhola nas salas de estar. Fumaça de cachimbo bailando ao seu redor. Cinema. Animais agonizantes à lhe encarar. Vive no lixo. Mas qual o problema? Todos vivem no lixo. Vermes enfileirados à sombra da celebridade. Honestidade em preto & branco em um falso mundo colorido.
Charles Baudelaire
Cheirando flores malignas e vislumbrando paraísos artificiais às portas da Bastilha. Sempre tão ácido. Palavras agudas afiando suas lâminas nos doces sonhos franceses. Palavras são navalhas. Ele recebe visões soturnas de Poe & suspira agradecido dentro de sua própria vida onírica. Talvez seus paraísos não sejam tão artificiais assim, no final das contas. Talvez os seus habitantes não sejam verdadeiros o suficiente. Sopros negros em meio ao floreio francês. Sujando as perucas pomposas de seus respeitados cidadãos. & revelando uma nojenta cabeça calva apodrecendo ao sol. Piolhos dançando em sua superfície. Estão no paraíso.
Nietzsche
Entrevistando os pesadelos acabou em um manicômio maternal por anos & anos & anos. Descabelado. Fraudas de bebê envolvendo suas pernas. Toda beleza deve primeiro se apresentar em formas horrendas para assim se fixar nos corações humanos. & ele sabia. Vendo beleza no mal. Vendo bondade em tudo o que é profano. Imolado às bordas de um abismo. Não há espaço para adulação dentro de seu quarto. Bate às portas na cara de Deus. & ele admira a sua coragem. Impassível. Formado de rocha & poesia. E sentimentos. Sentimentos em erupção, borbulhando por seus poros. Infinitas sensações esperando para serem sentidas. E todas são belas. & todas são sagradas.
Rimbaud
Adolescente maldito. Pirata. Descobriu Arte. Reluzindo imaculada por detrás de uma cachoeira de dor. Arte é dor & beleza fazendo amor. Simbolismo invadindo o cotidiano juvenil como um vampiro furtivo. Vamos reinventar os sentidos e faze-los correr livres pelos campanários selvagens das sensações. Nunca mais haverá coisa igual. Nada permanecerá como antes. Dando de ombros ao destino & cavalgando pelas terras áridas do Oriente Médio. Ramadan ao redor. Calor. Sol. O mesmo sol que cantava nas doces manhãs de primaveras passadas. Acompanhando o garoto por dias cálidos em uma jornada rumo à novas descobertas. Talvez tenha se esquecido de que um dia foi poeta. Talvez não. Folhas de papel não são mais necessárias. Poemas em forma de Mundo.
Augusto Dos Anjos
Onde ele estava quando os poetas se reuniam nas noites quentes regadas à chá? Quem era ele? O que ele era? Nada. Não era nada perante os parnasianos ouvidos imbecializados de pseudo-intelectuais. Então ficou sozinho em seu próprio dia-à-dia. Vermes e doenças. Substâncias asquerosas jorrando de árvores sangrentas em altar de sacrifícios nos confins do sertão. Doenças. Mortes embrionárias. Pílulas & mais pílulas sobre sua escrivaninha. Acima de poemas rabiscados. Cemitérios como vizinhos. Lhe dando bom dia. Pedindo pequenas porções de açúcar. (quem convidou todos estes mortos à minha casa?) "Eu". Ele disse. & "Eu" ele continua dizendo, nas noites calourentas do sertão.
James Joyce
Um viva à Mr. Bloom! Toda aquela gramática tediosa (espancadora de criancinhas) chacinada em uma pacata casa num pacato bairro residencial irlandês. Teria o matado se ele não tivesse a matado antes! Hail, Hail Mr. Bloom! Tudo o que nos foi imposto é besteira! Besteira pretensiosa ofegante. Clamando por oxigênio como peixes moribundos sob os pés do pescador. avassaladoravesso. Joy! To the World! Foda-se toda aquela besteira quadronegrológica! Existem infinitas partículas multicoloridas dançando no caos de um átomo partido. Becos sem saída abrigando passagens secretas por detrás de suas rachaduras. Fechaduras muito bem guardadas. Olhe por seu buraco. O que você vê?
Lord Byron
Comer! Beber! Amar! Nada mais importa! Don Juan criado dentro de sua própria ficção. Aristocrata amaldiçoado por demônios delirantes, residindo em uma caverna remota de uma terra desconhecida. Cocho. Rastejando seu pequeno corpo por gramados envolvendo castelos. Um dia é insubstituível. & todos são únicos. Vamos festejar pela manhã. & quando a noite chegar, vamos festejar mais um pouco! Muito em breve seremos retratos amarelados cravejados em lápides. Famílias descoloridas em um porta-retratos esquecido de uma pacata senhora. Neste dia, não existirão mais dias. Neste dia seremos "Bons maridos. Bons pais. Descanse em paz". Hoje vamos chamar os mortos para dançar!
Mary Shelley
Um Prometeu desacorrentado perambulando por nossas ruas. Passos lentos e desengonçados. Noite chuvosa. Trovões cantando uma ópera esquecida. Menina tímida no fundo da sala. 16 anos. Intimidada, maravilhada com todos aqueles artistas. A criatura segura em sua pequena mão feminina & caminha com ela até o fim dos tempos. Todos aqueles artistas morreriam em breve. Eles não. Viveriam para sempre. Um Prometeu. Uma Prometida. Até o fim dos tempos. Um casal blasfemo caminhando pelas noites chuvosas. Ouvindo ópera do céu em fúria. It's alive! It's alive! Ficção? Deus? Ciência? O que é tão hermético que não possa ser tocado? Ela tocou. 16 anos.
Lewis Carrol
Cavuca, cavuca, um buraquinho no chão. Curioso por uma luzinha curiosa que sai dali como uma minhoca cósmica & voadora. O buraquinho se torna maior. Maior. Um mundo escondido. Colorido. Debaixo dos olhos das tardes sonolentas de verão (pessoas vespertinas dormindo. Absortas) Absinto. Onde está o céu, que eu não consigo ver? Acho que está debaixo dos meus pés! É melhor tomar cuidado para não sujar! É melhor andar devagar! Tudo é zombaria por detrás daquele cochilo! Não existe tristeza vitoriana por aqueles campos. Torpor! Torpor! Torpor! Queimando em ardor! Os pensamentos inebriantes misturam-se com o farfalhar das folhas. Tudo misturado.
Aldous Huxley
Por que tudo é tão concreto por estes dias? Paredes cinzas de realidade & clones maníacos fabricando bebês acéfalos acalentados por tubos de ensaio. Vidas pré-fabricadas. Mundo etiquetado. Etiquetas em nossas costas. Masturbação cibernética. Drogando-nos com realidade solarizada. Sejamos bonitos nos maquiando com toda aquela feiúra! Blearg!!!!! Escravos. Dentro de um infindável navio negreiro. Cabeças de hidra. A revolução está morta. & não é de bom tom abstrair. Está fora de moda. Fashion. Admirável. Em um mundo novinho. (reciclado, para dizer a verdade). Psicótico. Sci-Fi baby! Nós somos psicóticos. Psicotizados! Psicho! Psichomerdas! Nossa percepção foi assassinada em um dia qualquer.
Elvis Presley
Camelot do Rock'n Roll! Excalibur é uma guitarra! Oh, como o século XX lhe caiu como uma luva! O último século do milênio foi a sua távola redonda. & seus cavaleiros garotos sonhando dentro de um quarto, absortos em teen magazines e gomas de mascar! O cavaleiro reluzente montado num possante cadillac cor-de-rosa numa eterna batalha contra o grande dragão Mídia. O rei não está morto! O rei venceu o monstro! O rei venceu o monstro! O herói do Mito Moderno. Lendas recriadas. Mágica. Permanecerá para sempre mais novo do que todos. Sempre sorrindo indiferente perante a velhice. O Rock'n Roll é seu. Sua camelot. Lá ele achou a sua espada. Lá ele recebeu revelações da Senhora do Lago. Vida longa ao rei!
William Burroughs
Veias venenosas. Substância intravenosa. Morte nas costas. Ratos podres emburacando os seus sonhos noturnos. A cidade o envolvendo. Teia de aranha. Expectoração da sociedade moderna. Tal qual. Maníaco. Caótico. Bagunça brilhando em cores abstratas. Ficção científica sussurrante & perigosa. (não olhe para ela por muito tempo. você pode ficar cego.) Paranóia farejante à espreita. Maliciosa. (não olhe agora, mas eu acho que tamo seno seguido... eu disse pra não olhar!) "Aonde nós vamos?" "Até a proxima esquina. Onde as criaturas se encontram." Sexo bizarro se enroscando no meio fio. É sexo mesmo? Não sei. Realmente não sei. Detetives por todos os lugares. Como cenas oníricas. Uma hora são. Outra hora não são. Não podemos controlar este tipo de coisa. Catarros explodindo de narizes gripados. Situação embaraçosa. Está chovendo sombras esta noite.