filme

5 Minutos Para a Meia-Noite

Uma distribuição Artistic Lines Underworld Entertainment.

Versão brasileira Herbert Richards.

Apoio desconhecido.

 

AAAAAHHHHHH!!!!

um grito no screen envelhecido. pupilas dilatadas pelo efeito do celulóide. e expectativas de finais felizes.

 

ROTEIRO:

Uma história de suspense escrita a cinco anos atrás por daniel frazão. Sete pessoas, cinco homens e duas mulheres, jantando numa noite fria. Um deles é assassinado ao sair para o banheiro. O que terá acontecido? Quem terá sido o responsável pelo desfecho sangrento que acometeu aquela amigável reunião social? Tchan tchan tchan tchan! Eles têm um corpo no banheiro. Chamarão a polícia? Terão alguma carta na manga? Um plano maquiavélico para saírem impunes? Na parede do banheiro apenas um recado: Até as cinco para a meia-noite todos vocês estarão mortos. O que fazer? Terá alguém dentro da casa? Chamar a polícia pode significar a prisão. Esperar pelo final pode significar a morte. Quem será o próximo a morrer e quem será o próximo a matar? CINCO MINUTOS PARA A MEIA-NOITE. NUM CINEMA PRÓXIMO DE VOCÊ.

   Nós já estávamos com o projeto de filmar o 5 Minutos há algum tempo. Eu e Anderson gastamos dias e noites organizando elencos e achando sets, meses e meses trocando elencos e procurando sets. O filme parecia um épico dos bastidores e um fiasco em tela grande. Quanto mais desfiávamos este novelo de lã, mais as coisas pioravam pro nosso lado. Tudo parecia muito difícil de se realizar. Sets impossíveis, material inacessível, verba escassa...MAS ENTÃO

   Fechamos um grupo de atores. Conseguimos locais para as filmagens. Organizamos todo o material, fizemos vaquinha, demos telefonemas, marcamos horários.  E semana passada, finalmente, o nosso primeiro ensaio coletivo. Tínhamos a nosso favor o grande entusiasmo com que todos estavam entrando e o forte senso de equipe, o que nos transformou num grupo artístico dos mais determinados, com todo mundo sabendo exatamente o que fazer e como fazer. Em cada par de olhos, a certeza de estar fazendo parte de alguma coisa importante. Uma certeza que brilha, brilha, brilha, e grita GRAVANDO!

   Ontem começamos a filmar. O primeiro dia passou descontraído e sem maiores problemas. Todos desempenharam os seus papéis da forma mais profissional possível, e posso jurar que as cenas que conseguimos não ficam atrás de nenhum desempenho "primeira linha de atores verdadeiros". Nos bastidores estávamos eu, Anderson, Marcinha, Diego, Fernanda, César, e nos dividíamos na direção, iluminação, apoio aos atores, continuismo, produção do making off, e outras tarefas mais. Todos funcionando com a precisão das engrenagens dos relógios e com a inspiração das mentes entorpecidas.

   Os atores foram outro show à parte. Ramon, Patrick, Natália, Ricardo, Guilherme, Juliana e Renato, depois de nos preocuparem com as falhas dos ensaios, encarnaram os personagens assim que a luz da câmera acendeu. Tudo fluiu e as coisas aconteceram, como uma psicografia no celulóide. E para os que quiserem ter uma idéia do que estamos fazendo, aqui está um trecho do roteiro, as cenas de abertura, que formam o momento de descontração antes da guinada tensa e dos closes repentinos.

   No fim das contas, nossa equipe ficou assim:

   Anderson: Direção e câmera

   César: Ator (Oficial Teixeira)

   Daniel: Autor e direção

   Diego: Direção, Iluminação e ator (Oficial Costa)

   Fernanda: Assistente de direção e produção do making off

   Guilherme: Ator (Leonardo)

   Juliana: Atriz (Amanda)

   Marcinha: Direção e atriz (Oficial Das Dores)

   Natália: Atriz (Loretta)

   Patrick: Ator (Luciano)

   Ramon: Ator (Charles)

   Renato: Ator (Alex)

   Ricardo: Ator (Douglas)

   Possivelmente Fabrício Neves: Ator (Bêbado)

 

    Agora já é quase certo que o ex-baterista dos Raskolnikovs, Fabrício Neves, irá mesmo fazer o papel do bêbado. Entrei em contato com ele por intermédio de um amigo. De início, ele ainda estava desconfiado da coisa toda, sempre com a sua atitude pós-raskolnikovtica de se manter longe da mídia, mas depois, quando fui lhe explicando que não temos NADA a ver com a mídia, que o negócio é completamente independente e solitário, ele foi se interessando pela idéia. Agora é só uma questão de verificação de agendas e tudo o mais... RASKOLNIKOVS LIVES ON! E possivelmente com uma de suas canções na trilha sonora!

 

Dia 2

    Tínhamos programado de gravar da cena 7 até a cena 10. Mas as coisas saíram mais complicadas do que imaginávamos. A cena 8 e 9 nos deram um trabalho sobre-humano e só conseguimos chegar até a 9. Mas no final valeu a pena, as cenas ficaram foda! Achei que na 9 o pessoal ia empacar, pois é uma cena de tensão e muita confusão, com todo mundo falando ao mesmo tempo, mas tudo saiu muito bom, e os caras realmente INTERPRETARAM, o ambiente chegou até a ficar repleto de energia negativa, de tão boas que foram as atuações. 

    Enquanto isso, Fernanda gravava o making off. E pra falar a verdade, eu ainda não o vi. Mas sei que também está ficando muito bom (só pelo material que a gente tem...). Marcinha também está sendo uma baita ajuda, pois se ficássemos só eu e o Anderson, o stress ia se duplicar. Mas com ela do lado, a coisa já flui mais fácil, sem contar que ela faz teatro...

    No segundo dia o César não veio. O pessoal fez uma vaquinha pra ele embarcar numa viagem até o sítio do Fabrício Neves. Foi até lá para combinar tudo sobra a gravações. Lá pelas onze da noite, ele nos ligou muito empolgado, falando que tudo correra bem, que o Fabrício ia realmente participar do filme! Tá tudo dando certo...

    Cenas para o próximo capítulo: No dia 3 teremos que filmar a cena 10, que ficou faltando, e também da cena 11 até a cena 13.

 

   OS PERSONAGENS

 

   A EQUIPE

 

   PONTOS ALTOS

 

Dia de tomada externa

    PUTA QUE PARIU!!! Fomos reduzidos a zumbis sucumbindo ao rigor mortis! Os olhos fechavam e as pálpebras encontravam navalhas na escuridão. As pernas balançavam. A esperança se esvaía, junto com toda a vida que nos rodeava. Nada nos foi mais trabalhoso e mais desastroso...

    Conseguimos o local para as tomadas externas: o sítio da Fernanda. YEP YEP URRA! Embarcamos ao anoitecer e chegamos no casarão bem depois das onze. Como uma trupe de viajantes perdida entre florestas e assombrações. Iríamos filmar as cenas do Ricardo e do César, as do Ramon, do Renato e do Patrick... 

    Tudo parecia perfeito, tínhamos o lugar, o figurino, os atores, tudo. 

    A dura constatação da falta de recursos, as lágrimas de cansaço, e tudo desabou como uma represa que despenca sob a força de uma queda d'água. A verdade é que a falta de recursos estava nos matando e nós caíamos pelos cantos da casa olhando para as horas passarem. A iluminação era precária, os equipamentos não davam conta de filmagens externas, a esperança se esvaía. Os atores ficavam mais tensos a cada minuto e o pessoal dos bastidores parecia não encontrar mais nenhuma resposta. 

    Tínhamos uma noite inteira para gravar, e ela ia embora mais rápido do que podíamos nos dar conta. Ramon e Renato esperavam dentro de casa até a hora de entrarem em cena, enquanto em algum lugar cravado no mato nós gravávamos eternamente a cena de Ricardo e César. A cena até que não era das mais complicadas, mas nós repetíamos infinitamente aquele maldito diálogo. 

    Fernanda era a única que conseguia controlar a situação e ao contrário do resto, mantinha a calma mesmo nos momentos mais complexos. Ela é o tipo de menina que sempre consegue dar mais um passo, mesmo quando a estrada chega ao fim. THANK GOD! 

    Corta! Chega! A luz do dia nos derrotara finalmente, e nós entramos na casa com um take insatisfatório gravado. Será isso o que costumam chamar de...as pedras no caminho? Não sei. A única coisa que consigo saber agora é que estamos no ponto mais escuro do túnel e só vemos túnel para onde quer que olhemos. 

    Cenas do próximo capítulo? Sei lá...

 

Cenas internas + cenas internas + cenas internas...

    Finalmente conseguimos quebrar a maldição da improdutividade!!! Gravamos as merdas das cenas que estavam nos travando há semanas e mais semanas! 

    O pessoal chegou aqui em casa por volta das três. Os semblantes carregados de cansaço e suor, como se fossem um verdadeiro exército de guerreiros abatidos nas trincheiras da arte. Tudo nos levava para o fracasso, e nós sentíamos o mal presságio de estarmos fodidos. 

    Um a um, nossos atores iam entrando no banheiro e vestindo os seus respectivos figurinos, sem perder nem mesmo um segundo. 

    Ramon se afastou do grupo. Parecia se concentrar em frente à janela. Lia o seu texto e dialogava consigo mesmo, numa eterna luta contra o fracasso. O suor descia por sua testa, a roupa, mais amarrotada do que uma montanha de trapos, grudava no corpo devido ao calor infernal que fazia, mas o cara simplesmente não se dava por vencido, e penetrava no personagem, dominando cada partícula de sua personalidade fictícia. E para a surpresa geral, sua batalha quimérica estava dando certo! Ramon, o cara desgastado e cansado que chegara à minha casa por volta das três, agora era um artista no seu mais perfeito estado. Declamava os seus diálogos, conquistando sílaba por sílaba! Napoleão chegando à França sobre uma manada de cavalos e cantando vitorioso uma vitória iminente! 

    O pessoal o olhava com espanto, como se ninguém entendesse aquele cara que simplesmente não se deixava ser vencido pela sequência de fracassos e improdutividades. 

    Como sempre acontece, não demorou muito para todo mundo estar contagiado pela determinação de Ramon e terem os textos fluindo nas pontas das línguas. 

    A noite caiu e começamos a gravar. AÇÃO! Tudo foi perfeito e o sucesso surgiu com apenas um único take...