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DELÍRIOS

Pensando escatológicamente dentro do grande aquário cemiteriano que envolve a cidade. Isso tudo é uma
Tumba
& zumbis esperam pelo próximo cérebro no jantar.
ZUMBIS COMEDORES DE CÉREBROS PERCORREM A NOITE!! ELES QUEREM VOCÊ!! CORRA!! CORRA POR SUA VIDA!!
Deglutido por pessoas mortas em sórdido divertimento.
Os bisturis estão ativos nas mãos dos doutores. O circo inteiro está prestes a vir abaixo. Cheiro de formol é a ultima coisa a ser sentida antes do torpor. Inconsciência.
Num piscar de olhos você será um novo homem!
Diga-me o que quer...
Dinheiro...? Feriados...? Família...? Classe-Média...? Bolinhas...? Garotas...?
Eu consigo pra você...
Você veio ao doutor certo...
Veja só... existe esta... chave... na sua cabeça... que terá que ser desplugada. É só um clic, entende? Um minutinho e pronto! Não vai doer nada...
E tudo será claro & brilhante
na sua cegueira.
Vê? O que tiramos de você é apenas um pedacinho... Uma... doação... entenda dessa maneira...
Todos os delírios sumindo diante de seus olhos.
O sono dos injustos.
Sua alma voando ao firmamento. Planando em imensidão flanelante. Absorta em uma infinitude de céu americanizado.

& você está pronto para adentrar em nosso
santificado cotidiano.
visão de chaminés
olhos de fumaça
blocos de concreto pintando o horizonte.
Você é parte disso. Um parafuso fundamental. E o seu romantismo macula nossa praticidade. Nossa... cidade! É isso. Felicidade. Essa é a meta.
Você, bom cidadão como eu sei que é, sai de sua casa às segundas de manhã. Depois de um bom café da manhã. & entra em seu bom carro do ano. (você tem não? Não me diga que não tem... Lembre-se da meta...) O ronco do motor é música para os seus ouvidos. A mulher que te acena do portão é quase tão boa quanto a que você irá encontrar no final do expediente. As crianças estão nadando no country club, onde você também irá estar no final desta semana suada. Vizinho dizendo bom dia (esposa gostosa). Resposta robotizada & previsível. Rumo ao trabalho. O trabalho é o meio pra meta. Você anda em direção a morte. A sua vida é o meio para se atingir a morte. & sua exist6encia
uma busca contínua pela morte, permeada com trabalhos ocasionais. O seu amor, é um inseticida para a dor. E a fuga do ócio. Encare desta maneira : você é um futuro cadáver &
se orgulha disto.
abortado às bordas do absurdo.
Respeito desejável.
Ostentação de tudo o que é palpável. A vida é como uma grande sacola. Acúmulo contínuo. (psiquiatricamente, isto é chamado de compulsão. Existem pílulas para este tipo de coisa)
Criaturas orais
querendo devorar a si mesmas.
Antropofagia.
Semana de 22 dejà vuniana.
Vivendo no limite. Na corda bamba. (seria bom manter um diário. Ou algo assim) Garotas no caminho, oasis. Todos correndo para não morrer de sede. Qualquer coisa que lhes dê um pouco de torpor.
TOC. TOC. TOC.
"Quem é?" você diz.
"Sou eu" a sua voz responde.
"Ninguém em casa."
E você segue engatinhando pelas suas calçadas, fingindo que nada acontece. Porém...
uma tenda mambembe corre em suas veias.
Vergonhoso subterrâneo, é como você chama.
& prossegue em maratona assustada
em funeral de subterrâneo.
Os olhos mortificados carregam a inutilidade dos dias.
Suas narinas não respiram ar, mas respiração.
Onde está o fôlego que você tanto prezava?
Seus olhos tornaram-se cortinas de fumaça
nada mais.
Piscina de formol
piscina de formol
piscina de formol
rodeando o seu par de narinas trancadas.
Você gostaria de estar morto para o mundo.
__ gostaria de salvar o cadáver __
mas não pode.
Pois neste momento, você ignora
o semblante retorcido sucumbe à vida comum
velas disfarçam o lúdico. O choro acaba com as flores
mas algumas remotas vezes, palavras completas ressurgem em mentes inacabadas que esperam o final dos ciclos.
PARARAMPARARAMPARARAMPAMPAM!!!
Senhoras & Senhores!!!
O Incrível Retorno de William Burroughs!!!
um retorno imprevisível
num vácuo sonoro de espaço sideral.
O retorno a um lugar imolado
mutilado
chorado.
Onde estão as gerações que ela criou com tanto afinco
no sal de suas lágrimas?
Escondidas pelo manto da
Escondidas pelo rubor de um manto de estupros e incestos.
Vermelho.
Boiando nos meios-fios de nossas cidades
na Era do Plástico.
Onde estão as gerações que ela criou com tanto afindo?
Violentadas
pelo olho vermelho
do
Descartável.
Sempre insone.
sempre
disseminando silêncios.