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Ode à Alegria
(com o pensamento lá em Beethoven)
O grandioso desfile se contorce diante das palavras mágicas dos nossos festivos feiticeiros. Danças indígenas e círculos & cânticos, girando, girando, girando, girando sobre as nossas cabeças pasmas. Flores para as meninas. Dêem flores para as meninas. Liberdade para os meninos. Cores para as crianças.
para os velhos.
Pegue a minha mão
mais uma vez
nessa tarde
de verão.
E todos os homens sérios
nos verão
dissipar junto com o ar
junto com o ar
gritar
tombar
no desfile disforme
da inconstância
junto ao ar. E ao mar.
Esse é o hino dos mentirosos, daqueles que não se prostram diante de um futuro incerto e aberto. Aqueles surrados, currados,
e sagrados, com penas de almas multiformes e nacos de Deus pousando nos cílios cobertos de poeiras áridas. Mentirosos, eles os chamam. Beatniks, deprimidos, góticos. Eróticos. Mas o preto não tem lugar na minha roupagem de ilusões coloridas. Sou uma boca aberta grudada nos
horizontes massificados do progresso. Eu minto, e eu minto, e eu minto. Rio e galopo, nesta chibata de certezas incertas.
Tente me enxergar para além das navalhas das luzes e tudo o que vai encontrar é um ponto vazio
de inúmeros risos.
Sente-se à mesa
& escute a minha voz
nas brisas sonoras
de horas ébrias.
Canções. Tente escutar
em todo lugar.
Corra para longe deste pastoril desértico que cobre nossas regras.
Crucifixos formados por nomes. Longe, longe, longe, onde um milhão de árvores se enroscam
com todas as minhas emoções fugazes. Pintadas em epitáfios.
(eu realmente deveria estar estudando
ao invés de ficar aqui,
lendo Henry Miller e perdendo o meu tempo com a
imortalidade,
e repetindo de ano)
(eu deveria parir
ou partir
ir para a puta que pariu
e sorrir)
EU SOU UM BEATNIK, MAMÃE
ME DESCULPE
EU SOU UM SPUTNIK CAINDO DO CÉU
LOVENIK
LAUGHNIK,
UMA CICATRIZ DA SUA LUA DE MEL,
NIK
NIK
NIK...
BETTER THAN BRICK
MOTHER.
BEAT ME, IF YOU WANT.
Piras incandescentes com labaredas que dançam e consomem nossas sombras,
nos esperam na saída da classe. E todos os diretores tentam nos convencer de que somos Mártires
e tentam nos converter
perverter
em mesas de mármore
Frias como a própria tristeza
escuras como um dia de ontem
um amanhã atapetado. Um tapa em nossas caras de luto.
Escute o chamado das terras longínquas!
Vozes de fêmeas no cio
entre flores e línguas
por detrás
de lojas de atacado
e supermercados em beiras de estrada.
Suaves
e doces
como algodão.
Nos chamando
para fora
de estudos escatológicos
sucessos emplastados
de marrom glacê.
PINTE-SE DE MENTIRAS
& INCONSEQÜÊNCIAS
ENQUANTO O DIA AINDA EXISTE.
SEJAMOS UNTADOS
POR CHUVAS
E COROADOS
DE ARCO-ÍRIS
ESTENDIDOS SOBRE MONTANHAS DE VELUDO
COMO O ARDOR DE OLHARES ÁVIDOS POR MAIS UMA VEZ.
MAIS UMA VEZ.
SEMPRE É TEMPO PARA MAIS UMA VEZ.
Mostre para todo mundo que você não é mais um Pierrot
com a lua escorrendo translúcida pelo canto dos seus olhos.
Esqueça as esperanças de ocaso
e penumbra.
Você é um Vendaval Arlequim,
um Feliz Natal
nas faces opacas de nanquim.
que esperam incrédulas pela morte.
Todos eles riem e desacreditam,
se envergam num grotesco êxtase de desdém,
riem
quando ficam sabendo
que o menino que vos escreve não usa nenhum tipo de drogas, ou entorpecentes, ou barbitúricos, ou solventes. _ MAS O GAROTO É UM BEATNIK CHAPADO, CHEIO DE FRASES MALUCAS, E REPLETO DE ÁCIDO LISÉRGICO!_
Tsc, tsc...
por que é tão difícil entender
que alguém pode ser simplesmente
sincero?
que alguém pode simplesmente nutrir
olhos abertos
e músicas contínuas?
Por que eu preciso NÃO SER EU
PARA SER EU MESMO?
Sincronia
Sinfonia
Sintonia
alegria.
Aqui e sempre.
Comigo
e talvez com você.
e o pobre menino pobre sacode os seus pêlos de vira-lata, jogando para bem longe dali
os preconceitos pré-formados
que perambulam
nas idéias deformadas
das famílias
preconcebidas
em laboratórios
de proveta.
Um eterno
arrastar pré-histórico.
Sente-se um pouco nessa varanda desamparada, de frente para as auto-estradas e rodovias e ferrovias que consomem asfaltos e letreiros esburacados, sem notar a sua presença, no meio da tarde. No meio da boca da tarde. Somos todos loucos aqui. Alguém falou num conto infantil. Prove o gosto de poemas adolescentes, desnudos, expostos em vitrines de abatedouros literários.
Postos em liquidação por velhos poetas cobertos com véus de teias de aranha e saliva venenosa, sempre dizendo AINDA NÃO! AINDA NÃO! AINDA NÃO! e roubando
fachos de sol de pequenos gnomos
que escrevem e resistem
dentro de pequenas tocas
ocas. Cobertos de flores
e cores
e frases
esporádicas.
Proclamando
Abracadabras
em manuscritos amarelos
correndo e sorrindo com você.
Fugindo de você por pura diversão.
& irritando os governantes da nação
e da arte em ebulição
(que em velhas concepções é sempre a mesma coisa).
Um pequeno gnomo, de orelha pontuda e peito estufado,
chamado Beethoven,
canta musiquinhas infantis
dentro de uma surdez que só ele pode ouvir
e só os duendes escutam.
Um pequeno gnomo
de orelha pontuda e
peito estufado
que executa sinfonias
e odes
e alegrias,
não para os velhos artistas cobertos de teias
e saliva,
mas para os duendes
que nada fazem além
de rodopiar
e soltar frases esparsas,
que sujam a solenidade
falando de felicidade.
Oh, Mundo!
Sempre tão cheio de duendes artistas!
Sempre tão cheio de doentes artistas!
Fuja da escola,
cante uma canção.