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Dançamos num círculo criado por Deus. Aqui estou eu. Criando Deus.
Aqui está Deus, com as suas procissões e declames exaltados. & os pecados.
Os pecados insanos piscando os olhos para os gritos e para a dor. Aqui, nessa mesma terra, um ancoradouro, procriando dentre os filhos de Cam. Um poema nojento jogado fora na varanda de adolescentes delicadas com cabelos trançados e esperanças vazias. Um poeta morto, dormindo numa gaveta, numa esquina de mármore, e almas rasgadas ao redor da sua tez. Adoradores cultuando o último dia dentro de quartos trancados e memórias grafadas. A IGNORÂNCIA É SEMPRE ABSTRATA.
Não existem gênios. Somente os gênios
não existem.
E você? Por que perder o seu tempo decifrando um olho abstrato que lacrimeja sonhos e tentando encontrar sentido nessas palavras que morrem ao fugir do medo? E aqui estou eu, criando um Deus imperfeito, vazio e decrépito. Um Deus mutilado, exalando o lúgubre êxtase da insegurança. Não crio nada além da falta de sentido. Um Deus bêbado. Uma embarcação à deriva.
OS PASSAGEIROS QUE AINDA SE ENCONTRAM DE PÉ
POR FAVOR APERTEM OS CINTOS
E FECHEM OS OLHOS
POIS ESTAMOS ADENTRANDO NA ABSTRATOSFERA
TERRESTRE,
ONDE NÃO HÁ
ESFERAS
ERGUIDAS.
OS AS FERAS
SÃO PARIDAS.
UMA TEMPORADA NO INVERNO.
Flores sobre a relva do INFERNO.
O vento bate na janela, e é só o que posso te dizer.
O vento bate na janela.
Os pássaros procuram por um abrigo e os estudantes voltam para casa com as mochilas repletas de cadernos escolares e segredos submersos. Sorriem e se despedem da juventude enquanto abrem a porteira, sentindo o aroma de chocolate quente. O caminho arranhado pelas pedras, sujo de asfalto
e os carros que buscam crianças num jardim de infância coberto pela floresta gélida das flores do inverno. - sobre a relva do inferno - Posso ouvir as buzinas eclodindo na minha janela.
Meu amor
você está aqui?
Ou é apenas o galho
roçando folhas amarelas?
Como eu odiei essa estúpida pergunta. Me soou tralalá demais, como os velhos poetas do velho mundo sangrando papiros nos fundos de estúdios obscuros. Estúpidos e imbecis, todos eles. Sou uma alma rasgada aos pedaços.
E eles voam
sujos com a fumaça das embarcações
que perambulam pelos caminhos tortuosos do meu sono.
Destruindo tudo. Esses pedaços da minha alma.
Quero mais é cair na gargalhada, nada de ficar enfeitando frases com fezes. Qual o sentido disso tudo, afinal? O sentido que eu crio. Não crio nada além da falta de sentido.
E ISSO É SÓ UMA AMOSTRA
DE COMO NADA FAZ SENTIDO
ALÉM DA FALTA DE SENTIDO.